Pular para o conteúdo principal

Fragmentos da Realidade



Quando paro para olhar o mundo ao meu redor, percebo que a cada dia ele faz menos sentido para mim. É como se de alguma forma estivéssemos todos presos nesta enorme roda gigante que simplesmente fica dando voltas e nos colocando para cima e para baixo.

Desde os primórdios da humanidade, o homem questiona a sua existência, sua função na terra, seu papel neste grande teatro chamado vida, onde cada um tenta interpretar seu personagem da melhor formar possível para não ser deixado de lado.

Eu, honestamente, nunca fiz questão de estar aqui, muito menos de participar. Existe uma guerra dentro de mim, uma batalha constante e emocionante que a cada dia tem um desfecho diferente.

Me pego lutando para acreditar no invisível, no imortal, no eterno. Me pego buscando por um fio de sanidade em meio a toda essa loucura, encontro no amor o meu equilíbrio, busco esperança pois os dias são maus e é difícil permanecer em pé.

Decido acreditar, mesmo que uma parte de mim me diga que não existe nada na escuridão do infinito e que a fé é como amar alguém no escuro, alguém que parece nunca responder quando se grita por socorro.

Quem sou eu?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um texto sobre teatro

Eu queria ir mais ao teatro. Essa é uma daquelas conclusões a que se chega sem saber muito bem de que forma, você apenas acorda com uma vontade insana de ir mais ao teatro. E é isso, nada de grandes visões com esse texto, não tenho nenhum segredo para contar, nada aqui vai mudar a sua vida, só queria dizer que queria ir mais ao teatro, achei que era importante. Já acordou com a sensação de ter dormido por tempo demais? Como se tivesse ido para a cama ontem e acordou dez anos depois? Você de repente percebe que as coisas não estão onde você deixou na noite passada, as paredes estão mofadas, tem teias de aranha no teto, plantas mortas na janela e você fica se perguntando que diabos aconteceu, por quanto tempo você permaneceu adormecido? É uma sensação estranha, essa. Mas o texto não é sobre isso, é sobre minha vontade de ir ao teatro. Assisti meses atrás uma peça sobre os amores de Machado de Assis, um monólogo, para ser mais preciso. Monólogo, é assim que se chama uma peça de u...

A Torre, o Louco e o Eremita.

Tenho ansiado por ser poesia, me fundir ao intangível do imaginário, ser incógnita, inquietude. O universo pôs diante de mim a torre quebrada de Babel, e já não há convicções ou caminho certo posto a mesa. Queria eu ser o Louco, afinal, não é a vida um infinito de finitudes? Quando se chega ao fim, não estamos de volta ao início? Não é a estrada feita de vazios? Mas vejo-me Eremita, a vagar e divagar ao encontro de um espelho que reflita mais que pele e mentiras. Procuro uma ponta solta de mim mesmo, uma ponta solta de alma, a que possa me agarrar e desfiar, até que nada reste. Tendo sido feito da poeira de estrelas, como dizem uns, não devia eu encontrar no céu algum acalento para toda essa dor? Procurei em seu silêncio as resposta para perguntas desconhecidas, me fiz escravo de sua grandeza distante, roubei-me do desejo de ser mundo. Percebo agora que das cartas dadas, minhas eram as mãos. Que fiz voz o que era desejo desarraigado, que de tronos invisíveis povoei ...

Apenas sorria e acene ou "A arte de ficar em silêncio"

Quem passa por mim no dia a dia, sem me conhecer, deve pensar que sou um cara estranho. Sou aquela pessoa que se limita aos bom dias e aos acenos de cabeça, adepto de pensamentos flutuantes e olhar distante, não faço por mal e na maioria das vezes, eu não queria ser assim. Quando criança, segundo minha família e conhecidos, eu era um verdadeiro terror. Quando as pessoas se apercebiam da minha chegada, corriam para tirar de vista qualquer coisa que pudesse ser quebrada ou arremessada, eram algumas horas de pânico. Eu era aquele tipo de criança que foge dos pais no super mercado, que aborda estranhos na rua, que tranca a mãe fora de casa e tenta botar fogo nos colchões. Sim, eu tentei colocar fogo nos colchões. E então, assim sem aviso, me tornei o cara estranho que não não fala muito. Na verdade, eu falo, falo pelos cotovelos, mas só de vez em quando e com pessoas com quem me sinto confortável para tal. O fato é, que a medida que crescemos, as pessoas param de ouvir o...