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Mostrando postagens com o rótulo Contos

O maior Idiota do mundo

Quando o Coração chegou ao consultório, Dr. Facundo ainda não havia chegado. Ansioso, como sempre, sentou-se em um pequeno sofá na sala de espera, de frente para a secretária, dona Eunice. A espera chegou ao fim alguns minutos depois, quando o doutor entrou na sala abruptamente. Era um homem alto, com seus cinquenta e poucos anos, e o que lhe sobrava em altura, faltava em cabelo.  - Desculpem o atraso, o trânsito estava uma loucura, vamos entrando. A sala de atendimento era simples e aconchegante, com apenas uma poltrona, um divã de couro marrom estofado e uma mesinha de centro. O Coração foi logo se acomodando, enquanto Dr. Facundo tirava um gravador e um bloco de notas de dentro da pasta. - E então, Coração, certo? Me fale um pouco sobre você, porquê resolveu me procurar? - Bom, estou passando por uma crise, doutor, me sentindo o maior idiota do mundo. Foi a Razão que me indicou o senhor. - Entendo, algum motivo aparente para estar sentindo-se assi...

Conto: Em um bar qualquer, a Morte e o Tempo

Era um bar qualquer, em algum lugar qualquer e nada havia de especial nele. O cheiro de cigarro e álcool estava impregnado na mobília, nas paredes e no ar, mesmo assim agradava aqueles velhos amigos se encontrar ali. Lá dentro, a Morte, um homem alto e magricelo tomava cerveja gelada enquanto olhava para o nada, sem prestar muita atenção ao que acontecia ao seu redor. Tal era sua distração que quando o Tempo chegou ele nem percebeu. - Nem te vi chegar - disse ele enquanto dava uma olhadela em um relógio velho pendurado em uma das paredes encardidas do bar. - Ninguém nunca vê. - Como consegue se atrasar toda vez?  - Desculpa, faz parte de mim, é inevitável. O Tempo puxou uma cadeira e sentou. Usava uma camiseta cinza desbotada, calça jeans e chinelo. Não chamava a atenção nem carregava nenhum tipo de beleza, mas era de uma simpatia ímpar. O barman perguntou o que ele iria beber e dois minutos depois voltou com cerveja e amendoins.  - Como vai o ...

Conto: O ponto de ônibus

Eram seis da manhã. Seis e alguns quebrados para ser mais específicos e ele, como de costume, estava atrasado. Caminhava a passos largos, o frio da manhã lhe estapeava o rosto e fazia subir uma névoa branca de sua boca a cada respiração. Quando dobrou a esquina, parou, vendo ao longe seu ônibus partir. Chegaria atrasado ao trabalho. Novamente. Caminhou, agora lentamente, até o ponto de ônibus do outro lado da rua. Era inverno e pouco movimento havia naquela pequena cidade, pra ser sincero, o único som audível no momento era o de seus passos contra o chão irregular de paralelepípedo. Pensava em como explicaria para seu chefe que havia perdido o horário novamente quando algo lhe chamou atenção. Alguém estava sentado na parada de ônibus. Ao se aproximar viu que era uma moça, estava muito bem agasalhada, usava calça jeans, coturnos surrados pelo tempo, jaqueta preta e uma toca que mostrava apenas parte do cabelo curto de fora, o suficiente para perceber que era e...