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Piloto automático

Um grande poeta, certa vez cantou a seguinte canção:
 
Um dia eu vou morrer
Um dia eu chego lá
E eu sei que o piloto automático
Vai me levar
 
Eu devia sorrir mais
Abraçar meus pais
Viajar o mundo e socializar
Nunca reclamar
Só agradecer
Tudo o que vier eu fiz por merecer
Fácil de falar, difícil fazer
 
 
Me peguei ouvindo essa música repetidas vezes. Sabe quando uma música te pega? Quando de alguma forma parece que ela está falando direto com a nossa alma? Então, acho que foi o que aconteceu. Tem tanta coisa nesses versos, coisas simples, detalhes, sutilezas, tanta verdade, tanta realidade que foi impossível ignorar.
 
Todos nós iremos morrer um dia, isso é certo, e a gente nem precisa se preocupar tanto com o fato em si mas sim com a jornada até lá. Todos nós iremos morrer um dia, e a gente nem precisa se esforçar para isso, o nosso piloto automático irá nos levar até lá. O problema é quando nos deixamos guiar por ele, quando deixamos as coisas simplesmente acontecerem ao nosso redor, quando ficamos correndo em círculos acumulando dias perdidos.
 
Talvez se sorrirmos um pouquinho mais ao invés de gritar, xingar, espernear o mundo sorria de volta. Talvez se abraçarmos os nossos pais independentemente de tudo o que foi e que é, quando o dia deles partirem chegar não iremos nos arrepender mas sim sorrir das boas recordações. Talvez se viajarmos o mundo ou simplesmente socializarmos com o cara que senta ao nosso lado no ônibus ou com a tia da faxina ao invés de nos escondermos em nós mesmos a gente descubra um mundo novo e lindo. Talvez se agradecermos mais ao invés de reclamar de tudo e todos a gente descubra que um obrigado tem muito mais poder do que imaginamos.  
 
Talvez assim a gente consiga assumir o volante e desligar o piloto automático. Eu sei, são muitos "talvez" e também sei que é muito mais fácil falar do que fazer, mas sinceramente? Estou disposto a tentar.


 

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