Pular para o conteúdo principal

Esperar é caminhar




 Eu acredito em destino. Calma, não estou falando naquele destino dos filmes e das novelas, não estou falando de horóscopo, astrologia nem nada do tipo, eu apenas acredito que nós fomos destinados a algo. “Ah John, então você está dizendo que eu não tenho livre arbítrio? Que sou só um fantoche sem escolha?”, não, eu não estou querendo dizer isso. Acalme-se, você ainda é livre.

Existe um caminho, um caminho perfeito, que te leva até o destino perfeito para você, só que ao longo desse caminho existem bifurcações, encruzilhadas, curvas fechadas, quebra-molas, pontes e pedágios e aqui está a melhor parte: Você pode ir por onde você quiser! Não parece incrível? Não estou dizendo que essa é a verdade absoluta, essa é apenas a teoria em que acredito e na qual eu tento pautar a minha vida e posso te garantir, é muito difícil.

É difícil porque a gente não sabe confiar, não sabe esperar. É difícil porque a gente não sabe andar em linha reta, a gente insiste em mudar a rota, desviar, procurar atalho pra evitar o pedágio. É difícil porque o caminho é longo e a estrada é ruim e nós muitas vezes não estamos dispostos a tentar.

As vezes precisamos parar no acostamento e esperar que o GPS refaça a rota, encontre um jeito de nos levar de volta ao caminho original, o problema, é que na maioria das vezes esse processo leva tempo, paciência, e a gente não quer ficar ali parado. Então decidimos continuar andando, procurando caminhos por nós mesmos, e eles parecem mais fáceis, a estrada é melhor mas nós nunca chegamos a lugar nenhum. Isso se parece um pouco com a sua vida?

Vivemos para trabalhar, estudar, comprar, pagar, fazer, ir a igreja e isso tudo é muito bom, mas chega uma hora em que isso cai na rotina, em que só isso já não parece tão bom. Chega um momento onde ser apenas mais um que corre sem chegar a lugar nenhum se torna cômodo. Porque a idade vem chegando, porque as responsabilidades vem, porque precisamos de uma TV nova, porque queremos passar uma semana na praia, enfim, se torna cômodo porque é.

Se sua vida terminasse hoje, qual foi o seu legado aqui? Qual propósito você cumpriu? O que você fez e quem você foi? Quem irá se lembrar de você?

Talvez agora você esteja um pouco pensativo, assustado talvez mas e se eu te disser que você tem muito mais a oferecer? Muito mais do que uma vida sem propósito? Acredite, você tem. Você tem porque a Ele mesmo escreveu todos os nossos dias, antes mesmo de sermos formados, você tem porque simplesmente existir não é viver, mas sobreviver.
 
Que a gente entenda, que assim como cantou o poeta Marcos Almeida, esperar é caminhar. Que a gente possa parar o carro e pedir para que Ele recalcule a nossa rota de volta ao caminho perfeito, que a gente possa parar de tentar achar atalhos, desvios, que a gente pare de tentar viver por nós e passemos a viver por Ele, guiados pelo que Ele escreveu pra nós. Não porque não temos escolha, mas porque Ele é a nossa escolha.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um texto sobre teatro

Eu queria ir mais ao teatro. Essa é uma daquelas conclusões a que se chega sem saber muito bem de que forma, você apenas acorda com uma vontade insana de ir mais ao teatro. E é isso, nada de grandes visões com esse texto, não tenho nenhum segredo para contar, nada aqui vai mudar a sua vida, só queria dizer que queria ir mais ao teatro, achei que era importante. Já acordou com a sensação de ter dormido por tempo demais? Como se tivesse ido para a cama ontem e acordou dez anos depois? Você de repente percebe que as coisas não estão onde você deixou na noite passada, as paredes estão mofadas, tem teias de aranha no teto, plantas mortas na janela e você fica se perguntando que diabos aconteceu, por quanto tempo você permaneceu adormecido? É uma sensação estranha, essa. Mas o texto não é sobre isso, é sobre minha vontade de ir ao teatro. Assisti meses atrás uma peça sobre os amores de Machado de Assis, um monólogo, para ser mais preciso. Monólogo, é assim que se chama uma peça de u...

O maior Idiota do mundo

Quando o Coração chegou ao consultório, Dr. Facundo ainda não havia chegado. Ansioso, como sempre, sentou-se em um pequeno sofá na sala de espera, de frente para a secretária, dona Eunice. A espera chegou ao fim alguns minutos depois, quando o doutor entrou na sala abruptamente. Era um homem alto, com seus cinquenta e poucos anos, e o que lhe sobrava em altura, faltava em cabelo.  - Desculpem o atraso, o trânsito estava uma loucura, vamos entrando. A sala de atendimento era simples e aconchegante, com apenas uma poltrona, um divã de couro marrom estofado e uma mesinha de centro. O Coração foi logo se acomodando, enquanto Dr. Facundo tirava um gravador e um bloco de notas de dentro da pasta. - E então, Coração, certo? Me fale um pouco sobre você, porquê resolveu me procurar? - Bom, estou passando por uma crise, doutor, me sentindo o maior idiota do mundo. Foi a Razão que me indicou o senhor. - Entendo, algum motivo aparente para estar sentindo-se assi...

Apenas sorria e acene ou "A arte de ficar em silêncio"

Quem passa por mim no dia a dia, sem me conhecer, deve pensar que sou um cara estranho. Sou aquela pessoa que se limita aos bom dias e aos acenos de cabeça, adepto de pensamentos flutuantes e olhar distante, não faço por mal e na maioria das vezes, eu não queria ser assim. Quando criança, segundo minha família e conhecidos, eu era um verdadeiro terror. Quando as pessoas se apercebiam da minha chegada, corriam para tirar de vista qualquer coisa que pudesse ser quebrada ou arremessada, eram algumas horas de pânico. Eu era aquele tipo de criança que foge dos pais no super mercado, que aborda estranhos na rua, que tranca a mãe fora de casa e tenta botar fogo nos colchões. Sim, eu tentei colocar fogo nos colchões. E então, assim sem aviso, me tornei o cara estranho que não não fala muito. Na verdade, eu falo, falo pelos cotovelos, mas só de vez em quando e com pessoas com quem me sinto confortável para tal. O fato é, que a medida que crescemos, as pessoas param de ouvir o...